Para um apaixonado por música, se convencer de que o seu acervo é uma pequena representação do que há de melhor no universo é bem difícil. Simplesmente porque quem gosta mesmo da coisa, está sempre à caça de novidades ou raridades e não tem preguiça de passar horas e horas na frente de uma banca de CDs, escolhendo os títulos que faltam à sua coleção. Eu pelo menos sou assim e talvez por causa da minha paixão por música, um volume de mais de 950 páginas e quase dois quilos de peso me chamou a atenção numa livraria de Aosta. “1001 Álbuns que Você tem que Ouvir antes de Morrer” (do original em inglês: 1001 Albums You Must Hear Before Die). Nem preciso dizer que senti um frio na espinha só de pensar que os meus preferidos não estivessem ilustrados na edição francesa, editada pela casa Flammarion(preço por aqui: 29,90 euros).
Coordenados por Robert Dimery, escritor e editor inglês, vinte e quatro colaboradores – entre jornalistas e críticos de música – ajudaram a reunir esta listona dos álbuns essenciais para quem gosta de música. Organizados cronologicamente, os discos também ajudam a conhecer a história da indústria fonográfica e de como ela foi ganhando novos e importantes nomes no decorrer do tempo. Folheando o catatau dá para identificar alguns movimentos marcantes para a música, como o hippie, o “grunge” do início dos anos noventa, a cena “independente” de hoje. Para você ter uma idéia de como a obra é ampla, bastaria dizer que o livro começa com Frank Sinatra e o seu “In the wee small hours” (1955) e termina com The White Stripes, e o álbum “Get Behind me Satan” (2005).

Separado por décadas, o livro ainda conta com uma introdução escrita por Michael Lydon, fundador da “Rolling Stone”, bíblia do rock como todo mundo sabe. É bom dizer que o rock é o grande privilegiado, principalmente depois dos anos 60 – o que pode significar um verdadeiro deleite para os amantes do estilo (a gente tambem adora!), mas ainda tem discos de hip hop, soul dance, world music e eletrônica e grandes figuras históricas, digamos assim, como o grande Frank que abre a obra, Billie Holiday, Miles Davis, Zappa, Michael Jackson, Madonna e tantos outros que figurões da música mundial.
Os brasileiros também aparecem entre os “1001 indispensáveis”.
Eis a lista verde-amarela: Stan Getz e João Gilberto em “Getz Gilberto” (1963), Astrud Gilberto com “Beach Samba” (1967), Mutantes com o disco “Os Mutantes” (1968), “Caetano Veloso” (1968), Milton Nascimento e Lô Borges, “Clube da Esquina” (1972), Jorge Ben, “Africa/Brasil” (1976), Elis Regina “Vento de Maio” (1978), Sepultura, “Arise” (1991) e “Roots” (1996), Suba, “Sao Paulo Confessions” (1999) e Bebel Gilberto, com “Tanto Tempo” (2000).
A edição francesa ainda conta com um divertido prefácio do francês Michka Assayas, principal autor do “Dicionário do Rock” (2000) que faz um “mea culpa” ao listar os seus outsiders. Sim, porque é claro que outros grandes discos da história da música acabaram ficando de fora do listão dos 1001 mais-mais. Isso sem falar na sua (dele) música francesa, que acaba participando com apenas 12 álbuns, ou seja 1,2% de todos os discos listados no livro. Isso acaba rendendo uma lista “lado B” bem bacana e que acaba dando vontade na gente de fazer uma sobre a música brasileira – que no fim das contas acaba participando pouco da bincadeira.
Então que tal? Vamos fazer a lista Novidadeira dos discos mais incríveis de todos os tempos?!?
*As fotos do livro e de algumas páginas são de Andrea Filippa, especialmente para o Novidadeiras :)
*Pelo jeito o livro ainda nao foi editado no Brasil. A unica referencia que achei foi aqui.